Desempenho da indústria se mantém forte em abril

Região Sul tem puxado o crescimento do setor, com Paraná tendo o terceiro melhor resultado do país este ano

Abril foi mais um mês de desempenho positivo da indústria paranaense. A produção do setor registrou crescimento de 55% com relação ao mesmo mês do ano passado. Foi o melhor resultado da região Sul e o terceiro melhor do país, superado apenas por Amazonas e Ceará. A média nacional também foi de crescimento, 34,7%. Já em relação a março último, o crescimento foi menor. No Paraná, a indústria teve pequena elevação de 0,2%, já com ajuste sazonal, enquanto a média nacional apontou queda de 1,3%. Os números foram divulgados esta manhã (9/6), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para o economista da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Evânio Felippe, o crescimento expressivo de abril deste ano comparado com abril de 2020, embora ambos sejam ainda dentro do período pandêmico da Covid-19, deve ser analisado com cautela. “A indústria vem numa trajetória de recuperação desde o início do segundo semestre do ano passado. Mas, abril de 2020 foi o primeiro mês em que foi possível mensurar o impacto inicial da pandemia, que paralisou totalmente as atividades nas indústrias. Com uma base de comparação tão baixa, qualquer crescimento toma proporções maiores”, explica.

Máquinas e equipamentos cresceram quase 60% este ano em relação ao mesmo período do ano anterior.
Crédito das fotos: Gelson Bampi

Mesmo analisando meses iguais e ainda dentro da pandemia, com a indústria sendo considerada atividade essencial, as operações não foram interrompidas agora mesmo em fases de mais restritivas. “Isto mostra que a indústria tem respondido bem mesmo diante das adversidades na economia e das medidas mais severas adotadas para enfrentamento da crise sanitária. O setor se adaptou bem às mudanças para atender às necessidades do mercado”, avalia Felippe.

Acumulado do ano

No acumulado de janeiro a abril deste ano, o resultado também é positivo, com alta de 18,1% na produção industrial do Paraná em relação a igual intervalo de 2020. Com isso, a região Sul lidera o crescimento no país. Santa Catarina teve o melhor desempenho (24,4%), seguida por Rio Grande do Sul (20,5%) e Paraná. O indicador médio nacional ficou em 10,5%. Nos últimos 12 meses, a alta na indústria paranaense chegou a 4,7%.

No primeiro quadrimestre deste ano, um dos setores com melhor performance tem sido máquinas e equipamentos, com quase 60% de crescimento em relação ao mesmo período do ano anterior. Também merecem destaque o segmento da madeira (50%), fabricação de produtos de metal e automotivo, ambos com 41% de alta, além de móveis (36%) e minerais não-metálicos (34%). Dos 13 setores analisados pelo IBGE, apenas dois tiveram queda. Celulose e Papel (-6,6%) e Alimentos (-4,8%).

“Este é um indicador importante porque o setor alimentício é bem relevante para o estado, representa 30% a 33% do PIB industrial paranaense. Esta retração pode estar atrelada à redução no consumo das famílias, por conta do desemprego, da queda na renda e do menor valor do auxílio emergencial aprovado este ano pelo Governo Federal”, pondera o economista.

De acordo com ele, outro fator que influencia é o aumento dos custos de produção na indústria, principalmente no setor de carnes. “A atividade frigorífica responde pelo menos 11% do PIB industrial do Paraná. A elevação dos gastos gerou paralisação temporária ou redução significativa em várias unidades do estado, sobretudo nas que não exportam, impactando nos resultados do setor de alimentos como um todo”, justifica. “Com menor consumo e mais custos acumulados, que não podem ser repassados integralmente ao consumidor, o setor freou o ritmo de produção nas indústrias”, completa.

Na avaliação dos segmentos, comparando abril de 2021 com abril de 2020, das 13 atividades, apenas papel e celulose (-19%) e alimentos (-7%) ficaram abaixo do esperado. Embora ainda com crescimento expressivo por conta da base baixa de comparação no mesmo mês de 2020, o destaque foi o bom resultado do setor automotivo, máquinas e equipamentos, moveleiro, madeira, fabricação de produtos de metal e bebidas.

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