Lideranças debatem em Londrina obras prioritárias para a infraestrutura da região Norte

Encontro nesta sexta (15), que reuniu mais de 80 representantes de diversas entidades, abriu a rodada de atualização do Plano Estadual de Logística em Transporte

Ricardo Rocha e Edson Vasconcelos, durante abertura da reunião em Londrina

Mais de 80 lideranças de diversas entidades do Norte do Paraná participaram, na manhã desta sexta-feira (15), em Londrina, da primeira de uma série de reuniões para atualização do Plano Estadual de Logística em Transporte – PELT 2035. Elas conheceram o status de todas as obras incluídas na última versão do PELT, lançada em 2016, e apontaram outras intervenções que consideram necessárias para aprimorar a infraestrutura e tornar o setor produtivo mais competitivo. Entre as principais demandas estão obras que ampliem a capacidade, eficiência e segurança das rodovias que cruzam a região, além de ampliação da malha ferroviária e melhorias no aeroporto de Londrina.

Elaborado em uma construção coletiva que envolveu representantes de mais de 20 entidades da sociedade civil paranaense, o PELT apresenta 97 obras e projetos prioritários para que o Estado elimine gargalos logísticos até 2035. Desde o lançamento da última versão do plano, 24% das intervenções foram concluídas. A maior parte, equivalente a 55% das demandas, já está planejada ou em início de execução. E os outros 21% ainda não tiveram avanços.

Para o coordenador do Conselho Temático de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Edson Vasconcelos, os encontros regionais para atualização do PELT são importantes para que o Estado tenha uma visão de longo prazo que oriente o planejamento na área. “A revisão do PELT, entendendo aquilo em que avançamos e de que forma avançamos, além daquilo que temos que colocar em pauta agora em um ano eleitoral para conseguir fazer um alinhamento com os governantes, é de suma importância”, disse.

Em sua opinião, atualmente os modais ferroviário e rodoviário estão entre as prioridades para o setor produtivo. “O Paraná tem destaque na indústria do agro, por isso entendemos que a ferrovia, que está na iminência de sair, é um dos tópicos importantes. O término do processo de concessão das rodovias também é uma expectativa muito grande, sempre priorizando a eficácia e o custo logístico”, explicou.

Ricardo Rocha de Oliveira, presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR), uma das entidades parceiras na elaboração do PELT, destacou que a construção coletiva do plano é fundamental para dar mais força às demandas da sociedade. “O Crea-PR participa desse trabalho desde o início. Com ele, construímos um compromisso coletivo. Se cada entidade pedir uma obra diferente, as coisas não vão acontecer. Mas, se estivermos unidos em discussões como esta, vamos ser inteligentes coletivamente para hierarquizar essas obras”, afirmou.

Já Sandro Nobrega, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Norte do Paraná, que sediou o evento, ressaltou que a mobilização em torno do PELT reforça as reivindicações da região na área da infraestrutura. “Esse trabalho junto com a Fiep é uma oportunidade para atualizar as obras para que a gente possa resolver gargalos presentes, mas também planejar o futuro. Muitas dessas obras são de longo prazo, por isso os municípios precisam se unir para que aconteçam, o que vai se refletir no desenvolvimento socioeconômico da região”, disse.

Gerente de Assuntos Estratégicos da Fiep detalhou as principais obras do PELT

Prioridades da região
O gerente de Assuntos Estratégicos da Fiep, João Arthur Mohr, que coordena tecnicamente o processo de atualização do PELT, detalhou algumas das obras prioritárias para a região Norte e, em seguida, as lideranças apontaram outros projetos que consideram importantes para a região. “No modal ferroviário, temos linhas férreas que atendem a região, ligando-a com o Porto de Paranaguá pela chamada Malha Sul. Essa malha tem seu contrato vencendo em 2027, mas a operadora dessa ferrovia já solicitou ao governo uma prorrogação dessa concessão por mais 30 anos”, explicou Mohr. “A região deve ter um olhar muito atento a isso, para saber quais obras serão feitas nesse processo”, completou.

Além disso, a região demanda melhorias na malha rodoviária, que é o modal mais utilizado atualmente. “Existem muitas obras já planejadas há anos e que agora foram inseridas no novo modelo de concessões ou estão previstas pelo governo do Paraná”, disse o gerente. Entre elas está o Contorno Norte de Londrina, com cerca de 40 quilômetros de extensão, que desafogaria a passagem de caminhões que hoje atravessam a cidade. “Outras obras muito esperadas são as duplicações das saídas de Londrina. Uma delas é a da PR 445, uma obra que o governo do Estado já está fazendo um trecho e que deve ser concluída, até Mauá da Serra, pela futura concessionária”.

Empresário da indústria moveleira de Arapongas e vice-presidente da Fiep, Irineu Munhoz reforçou a importância dessas intervenções para aprimorar a logística da região. “Hoje, somos extremamente dependentes de rodovias e temos muitas carências nesse modal. Para levar um contêiner aqui do Norte do Estado até o Porto de Paranaguá ou outros portos do Sul, temos ainda pistas simples, com bastante dificuldade para o transporte, então precisamos de uma melhoria urgente dessa malha viária”, explicou. “Mas também seria muito importante que tivéssemos um modal ferroviário também mais efetivo, com maior disponibilidade de vagões e com mais rapidez para levar os produtos daqui até os portos”, completou.

Outro ponto essencial para a região é a ampliação e modernização do aeroporto de Londrina. Segundo Mohr, isso deve ser solucionado com a recente concessão do aeroporto à iniciativa privada. “O operador tem um plano de implantação de obras a cumprir, como a ampliação da pista, a mudança de posição do terminal de passageiros e outras obras que vão ampliar muito a sua capacidade”, disse. “Também são esperados investimentos em instrumentos de aproximação das aeronaves, permitindo que mesmo em condições climáticas desfavoráveis o aeroporto possa operar”, acrescentou.

Para Irineu Munhoz, que é também presidente da Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), a participação das lideranças locais para indicação das obras prioritárias é fundamental. “Nada melhor do que a própria comunidade para saber quais são suas dores e o que é mais urgente e necessário. Eventos como este são de suma importância porque vêm justamente trazer a visão local para que isso possa integrar uma ação mais efetiva, que privilegie as reais necessidades”, finalizou.

Próximas reuniões
A última versão do PELT 2035 pode ser acessada clicando aqui. Além de Londrina, as reuniões para atualização do plano acontecem ainda em Maringá (dia 19), Cascavel (20), Francisco Beltrão (21), Guarapuava (27), Ponta Grossa (28) e Curitiba (29).

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