Pesquisa indica queda no otimismo do industrial paranaense em julho

Resultado divulgado pela Fiep interrompe sequência de três meses de alta

A sensibilidade do câmbio é mais um fator que interfere na confiança do empresário (Fotos: Gelson Bampi)

Com uma variação negativa de 3,4 pontos em relação ao resultado obtido no mês anterior, a pesquisa da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que o industrial do estado está menos otimista em relação a seus negócios e à economia agora do que estava em junho. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) somou 55,8 pontos, contra 59,2 pontos do estudo anterior.

A queda foi causada principalmente pelo impacto de dois fatores. O primeiro é que o ICEI mensal é formado pelo índice de condições, que avalia a economia e os negócios nos últimos seis meses, e pelo índice de expectativas, que faz a mesma análise em relação ao tempo futuro. Este mês, a queda no primeiro foi de 5,6 pontos, chegando num total de 48,7 pontos. Em junho, este mesmo índice somava 54,3, ainda acima dos 50 pontos e, portanto, na área de otimismo. O indicador de expectativas também caiu, mas com menor intensidade. Saiu de 61,6 para 59,4 pontos agora.

O outro motivo é que o ICEI também é composto pelo indicador da indústria de transformação e da indústria da construção civil. Este último teve queda acentuada de 6,3 pontos em julho, chegando a 50,9 pontos. No mês passado estava em 57,2 pontos. Em maio, estava em 60,4 pontos, o que aponta para uma tendência de queda nos últimos meses. “Na indústria da construção, a falta de insumos e matérias-primas é um problema real que vem se estendendo desde o início da pandemia, deixando o empresário preocupado”, pondera o economista da Fiep, Thiago Quadros.

Apesar disso, ele avalia que o impacto no setor é geral por conta da atual situação econômica do país. “A inflação alta tanto para o consumidor quanto para o produtor, desemprego em patamares elevados, reduzindo o consumo das famílias, e a política monetária que impõe altas taxas de juros e encarece o crédito para as empresas afeta todos os setores da economia”, avalia. Outra consequência é que, diante da instabilidade econômica, os investidores estrangeiros procuram mercados mais seguros, impactando no fluxo de capital no Brasil, isso diminui a circulação de dólar no país, interferindo no valor da taxa de câmbio.

No início do ano, a taxa média chegou a estar abaixo dos R$ 5,00, mas esta semana já opera acima de R$ 5,30. “Tradicionalmente, em ano de eleições majoritárias, a taxa de câmbio tende a se elevar ou a ficar mais volátil, subir e cair rapidamente dependendo do posicionamento adotado. Essa sensibilidade do câmbio é mais um fator que interfere na confiança do empresário”, avalia o economista da Fiep.

Fatores macroeconômicos globais, como a alta taxa de juros e uma possível recessão nos Estados Unidos, a desvalorização do Euro e a previsão de menor crescimento na economia chinesa são outros ingredientes que impactam na percepção do empresário com relação aos seus negócios. “As dificuldades nas maiores economias do mundo e no Brasil, a pressão sobre os custos para as indústrias produzirem, a dificuldade de acesso a insumos e matérias-primas e o momento eleitoral tornam o ambiente desfavorável na visão do empresário. Somados esses fatores interferem na visão dele sobre seus negócios e sobre a economia em geral, como retrata a pesquisa”, pondera Quadros.

Sondagem industrial

A sondagem feita em junho, que tem impacto no resultado no ICEI do mês seguinte, feita pela CNI, mostra que o problema que mais impactou os negócios, para 63% dos entrevistados, foi o alto custos dos insumos. Quase 69% revelaram que identificaram aumento no preço desses produtos no período.

Na sequência, para 38% dos participantes, vem a carga tributária elevada. Outros 28% informaram que a taxa de juros alta é o principal problema. Este, aliás, foi a resposta apontada por 50% das grandes empresas respondentes. Outros 25% culparam a taxa de câmbio como responsável pelos problemas. Para 22%, o alto custo da energia e a demanda interna insuficiente, igualmente, atrapalharam os negócios.

Em relação às operações das indústrias, 72% dos gestores ouvidos na pesquisa disseram que o volume de produção está estável e que o nível de utilização da capacidade instalada está em torno de 67%. Em relação aos empregos, 88% responderam que não se alteraram, apenas 9% demitiram em junho. Para 28% a situação financeira das empresas é ruim ou muito ruim e 31% revelaram ter dificuldade de acesso a crédito. Fator que afeta 40% das grandes indústrias do estado.

Os ingredientes macroeconômicos, segundo a opinião de Quadros, impactam a indústria de forma geral, mas afetam de forma diferente cada segmento. “Atividades que dependem mais da renda do trabalhador, como vestuário, automotivo, alimentos, moveleiro e eletroeletrônico tendem a sentir de forma imediata os efeitos internos da economia, como a queda no consumo. Já outros, como madeira e o agronegócio, são afetados pela situação global e acabam por replicar as consequências na economia local”, conclui.

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